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segunda-feira, maio 23

Animação baseada em poema de Bukowski


"Pássaro Azul" - Charles Bukowski 
(Bluebird)


Em meu coração existe um pássaro, que quer sair
mas sou mais forte que ele

there's a bluebird in my heart that, wants to get out
but I'm too tough for him


Eu falo "fica aí dentro,
eu não vou deixar ninguém te ver"

I say, stay in there, I'm not going
to let anybody see you


Em meu coração existe um pássaro, que quer sair

there's a bluebird in my heart that, wants to get out

mas eu taco uísque nele e respiro fumaça de cigarro
e as putas e os barmen e as caixas do mercado
nunca sabem que ele está aqui dentro

but I pur whiskey on him and inhale cigarette smoke
and the whores and the bartenders and the grocery clerks
never know that he's in there


Em meu coração existe um pássaro, que quer sair
mas sou mais forte que ele

there's a bluebird in my heart that, wants to get out
but I'm too tough for him


Eu falo "fique aí, você quer me pôr em apuros?"
"você quer estragar meus trabalhos?"
"você quer estragar as vendas dos meus livros na Europa?"

I say, stay down, do you want to mess me up?
you want to screw up the works?
you want to blow my book sales in Europe?


Em meu coração existe um pássaro, que quer sair

there's a bluebird in my heart that, wants to get out

mas eu sou mais esperto,
só deixo ele sair de noite, às vezes
quando todos estão dormindo

but I'm too clever,
I only let him out at night sometimes
when everybody's asleep


Eu falo "sei que você está aí, então não fique triste"
daí o ponho de volta, mas ele ainda canta um pouco aqui dentro,
Eu não o deixei morrer totalmente.

I say, I know that you're there, so don't be sad.
then I put him back, but he's singing a little in there
I haven't quite let him die.


e a gente dorme junto desse jeito
com nosso pacto secreto
e é bacana o suficiente para fazer um homem chorar

and we sleep together like that
with our secret pact
and it's nice enough to make a man weep


mas eu não choro, você chora?

but I don't weep, do you?


quinta-feira, agosto 20

Foi tão real...

Matei minhas ânsias de psicodelia, enfim! Revi um amigo que me entende bem todos os códigos de área. Chamou-me para um sorvete disciplinado depois do abraço. Eu cajá, ele alguma coisa de achocolatado. Traçamos a ficha corrida de duas semanas sem nos vermos. Contei sobre meus preparativos para a colação de grau nas Letras benditas, beca, monografismos, estágio no colégio público, novos conhecidos (uns bem interessantes, avisei de antemão...).


Sei que ele me revelou não ter dormido por quatro dias, desacostumado com o hotel. Trabalha no interior, depois volta pra casa, respira pouco. Mas ele teve a sorte de encontrar outra parceira louca pelas bandas de lá. Num feriado desses tomaram umas, fumaram uns também. Ele me trouxe o bom dali, assim pudemos partilhar dos mesmos vapores energéticos. Tudo In Natura. Humm...


Fomos à banca comprar um FREE a fim de disfarçarmos nossa liberdade. Logo, fomos às árvores, aos esconderijos do escuro. Chuviscava de leve, a brisa quis nos assaltar com seu sopro de espalha-erva enquanto preparávamos com todo zelo o nosso desmazelo de agrado. Enquanto tragávamos, ruídos leves de medo. Veio o guarda. Migramos para perto de uns gatos pardos revirando lixos, alardeando nossa presença fantasma com os olhos acesos.

Não satisfeitos por completo, ainda vasculhamos umas salas de aula, uns corredores desamparados e lá ficamos e lá filamos o terceiro embargo. Girava no meio da luz apagada, tonteando, queimamos os lábios no mesmo papel ensalivado. Um papel que não representamos, nem sobre ele escrevemos contos clássicos, mas dele sorvemos o crasso do insuspeitável.