domingo, junho 10

Antiga Mente

Tempo, tempo, tempo... Arrrrrr! Eu tive todo, ele se esgota em conta-gota, o ralo treme onde a espera desemboca. Boca de lobo. Da estepe by step. Maryl Streep em "As Horas", não muito longe daqui. É para lá que quero me ir, mijar no capim, ler Carpinejar, embora sem saber do quando. Vou colecionar mentiras, só porque ando distraidamente honesta e ninguém por merecer. Crescer, já cresci, mas aí ainda não acostumei aos números pares de minha idade sem rugas. Fuga, fugas, fugaz. Todas as festas em que eu me acabo e dou cabo ao sono no horário imposto pela regra solfúrica me deixam quadradamente bêbada de beabá do que já vi. Faço o quê, dormir? Mundo mais bizarro... Sumi para alguns que não desistem de mim. Bruxa auto-transformada em pedra de lápide pura à jaz mim. Cansei de rimas calçadas, e no dia em que bater-te as botas, descobrirás gatos de 7 por 30! Não sei o que falo, nada cabimento hoje mais tem, a mente funciona a troco de raiva. Meu sossego é disparate, angustiosa com a comida que não cedi ao touro, agora ele quer briga. Ora, vou deixar de palavras tortas. Ganhei um lindo presente de criança hoje e com ele preciso travesseirar. Decidido, defumado, defunto untado com perfume! Desgostei presunto, prefiro o cheiro do queijo qualho, também nunca comi coelho, só toca. Meu amigo guitarra, gosto do estilo menino dele, beirando a casa dos 'enta'. Um dia ainda danço valsa com ele e lhe beijo a roupa molhada. Um outro fez meio disso depois da noite meia. Verdade, juro! Ir à landa, sonho antigo. Vou comprar vestígio, comparar com glória, depois buscar dever na escola que um dia aulearei. Bem-fiquem com ela agora, fui abastecer meus olhos de alarme, carro-chefe em disparada, é um assalto e livro-me do livro...






"A Mentira é a recriação de uma Verdade. O mentidor cria ou recria. Ou recreia. A fronteira entre estas duas palavras é ténue e delicada. Mas as fronteiras entre as palavras são todas ténues e delicadas. Entre a recriação e o recreio assenta todo o jogo. O que não quer dizer que o jogo resulta sempre. Resulte seja o que for ou do que for. A Ambiguidade é a Arte do Suspenso. Tudo o que está suspenso suspende ou equilibra. Ou instabiliza. Mas tudo é instável ou está suspenso. Pelo menos ainda. Ainda é uma questão de tempo. Tudo depende da noção de tempo ou duração ou extensão. A aceleração do tempo pode traduzir-se pela imobilidade pois que a imobilidade pode traduzir-se por um máximo de aceleração ou um mínimo de extensão: aceleração tão grande que já não se veja o movimento ou o espaço ou a duração. Tudo está sempre a destruir tudo. Ou qualquer coisa. Ou alguém. Mas estamos sempre a destruir tudo ou qualquer coisa. Ou alguém. Os construtores demolem. No lugar onde estava o sopro, pormos pedras ou palavras: sinónimo de construção. Ou destruição. Ou acção."

Ana Hatherly, in 'O Mestre'

Um comentário:

Tarco Zan disse...

é chegada a hora do salto mortal, quem vai primeiro? se vc for eu crio coragem e vou em seguida. pode acreditar, eu juro! tem-se que tentar, é questão de prática e domínio. muita gente não morre