sexta-feira, março 2

chovEU

Chuva assim e eu sem escrever uma linha... Como poderia? A maior chuva do ano escrevendo linhas e mais linhas sobre a terrinha torta hoje e eu...? É, disseram os jornais o que não sabia. Nem precisava. Alienada dos telhados dobrando feito livros gigantes a devorar essa gente desalfabetizada desabando com o lixo e eu sem coragem de me divorciar do colchão. Dou-me ao luxo. Não, chega de acompanhar com a boa sensação dos olhos sobre as gotas grossas arranhando minhas janelas. Chega de sorrir com aquele gosto de melancolia frívola na boca. Vou molhar algum papel com tinta fria. A caneta está gélida pelo tempo. Mão nela, carne fresca! Aqueço-a como quem pega varetas no intento de fazer fogo na floresta solituda. Aqueço para não endurecer a ternura. Desvencilhei-me da inércia a tempo. Antes, já podia até sentir os dedos petrificarem meus ideais vagabundos. Vamos nessa, vamos falar sobre o nada de novo, é reconfortante feito as fronhas sobre as quais deitei aliviada não sei do quê! Buraco no asfalto, Hole In My Soul, Aerosmith,The Smith, O Silva, Aéreo, aéreo... Aonde vou? Saí nublosa. Gola rolê, dar um rolé, assim, fumando pela calçada, com minha velha boina nada Cheguevareana, trajando preto conforme mandava a música em minha cabeça. E era bem assim:

In my dream I was drowning my sorrows
But my sorrows they learned to swim

Surrounding me, going down on me

Spilling over the brim

Waves of regret, waves of joy

I reached out for the one I tried to destroy

You, you said you'd wait 'til the end of the world


UNTIL THE END OF THE WORLD - U2

Um comentário:

Tarco Zan disse...

Of course.. to see or not to see.. not to see of course.. we're all blind.. we're all behind.. U, me.. off - aff - c u at (in) the end of the world...
me crying