sexta-feira, abril 13

Sexta-feira (TREZE)

A semana retrasada, a da sexta da Paixão, foi deveras um atraso. Cansei minha beleza cristã com o pecado descabido de me encarnecer na companhia de uma cruz torpe nas costas. Não tão pesada, mas estorvante, magra e cadavérica, com tendências suicidas. Sim, um cocozinho de ser me entreteu naquele começo de Páscoa. Eu que o incentivei à vida, agora pouco me importo com a sua. Morte. É, para mim é assim agora, não perco mais tempo com mocinhos falsos, bandidos desprezíveis, de coração frouxo e covarde.

Se arrependimento matasse...
Talvez nem estivesse morta, posto que me diverti com aquele cafajeste, jorrando a pulsão de Eros por horas, tirando Tanatos da cabeça fraca daquele animal. Poderia tê-lo matado sim com um golpe de vagina dentada, quebraria seu membro com um gol(p)e do meu veneno feminino. Letal!

Já dizia Schopenhauer que todo homem que não sabe degustar os mistérios da existência é desprovido de inteligência. De Arthur, seu nome, nada havia de rei. Talvez fosse o bobo da corte da degradação, do resto do resto do seu próprio escarro. Ora, fez-se de vítima tantas vezes, lamentando-se de seus problemas, como se as dores dos outros fossem dignas do seu enfado infantil. Fez dessa suposta dor um brinquedo novo, usou as pessoas, chantageou emocionalmente como garoto pequeno fazendo birra, chorando por nada. Por tudo. Isso ele diz. Eu lá vou acreditar! Mentiroso safado, inútil, sem talento, sem charme e que eu me envolvi por burra compaixão. Saciei algumas vontades desse moleque atrevido com meu instinto maternal incestuoso. Vai ver arranquei sua virgindade das fraldas, mostrou-se tão impotente...

Se eu tivesse olhado para os lados enquanto ele adormecia saciado em meu colo, poderia ter ficado com o seu colega, bem mais divertido e íntegro no trato ou mesmo com aquele meu amigo versado em boa música e com um belo caráter ou então eu estivesse com aquele poeta que guarda as tardes para me escrever belezas em transe. Não é tarde ainda. Nem vingança. Já o assassinei na minha mansa indiferença.

Um comentário:

Tarco Zan disse...

entaum o outro assassianto está abortado! fica pra outra entaum... quem ama mata mais com bala que com flecha!!! oh uow ow!

eh isso aí colega, escreveu não deu, quebra o pau! arranca, sei lá... tou tão melhor e tu tem culpa nisso!

bjo