sexta-feira, janeiro 12

esCOLHA as FLORES que plantou

Acordei hoje pensando ser ontem. Dias tão iguais que fazem a diferença. A mesma cama vazia comigo dentro dela, o mesmo pijama e a janela entre-aberta com o céu semi-nublado olhando para mim. Parece que até a natureza não foge das situações pendentes, esconde sua nebulosidade parcial, feito estrelas que retém seu brilho por causa da noite. Jogaram-me Tarot. Carta principal: A Estrela. Iluminada. Será que também ilumino? Eu que mudei, mas sinto martelar no estômago a mágoa de tempos anteriores, remexida. Estava sem devotar ódio a ninguém, desde que cortei relações com um mendigo de almas sãs. Foi tão fácil esquecê-lo quanto dormir, levantar e tomar um banho frio. Quase de imediato ingressei em outro relacionamento sem levar muito a sério, um daqueles amores de verão. Mas não era. Bronzeado antigo exposto ao sol mais uma vez sem precaução. Movida pelos instintos sob o edredom da luz apagada, pela solidão isone mútua após uma noite festiva. Duas noites. Três seguidas.

Ele era meu amigo, ainda é meu melhor amigo ou talvez a melhor parte de mim. Irmãos gêmeos sensoriais desde o outro fim do mundo. Enfim, experimentamos o gozo adiado pelo medo do incesto feito crianças a saborear brinquedo novo. Brinquedo este que poderia fazer parte de toda uma infância, de toda uma vida na lembrança, até que foi destruído por uma terceira pessoa. Um adulto frustrado a condenar a brincadeira. O compromisso de 5 anos desse meu amigo colorido é que agora está em jogo e estamos cinzas de vergonha.
Chorei horas depois da queda, menina ingênua, de gênio nu. Vai ver fui eu quem tirou o doce da boca alheia. Agora esta boca quer chutar nossa felicidade amena com chantagens grandiloqüentes, ditando a clássica "Ou ela ou eu!" Não queria meter a colher novamente, só não vou perder uma amizade longa e fértil por conta de um doentio contrato onde a falta de liberdade é estabelecida claramente. Além disso, temos filhos: nossos projetos profissionais em processo de engatinhamento.

Misturar as regras não é sensato. Caberá ao meu fiel escudeiro então escolher. Nada fácil tarefa, já que ao invés de ouvir a opinião de terceiros, deve-se ouvir a própria. Julgamento interior. Nessa vidinha há sempre que se abdicar algo em favor de um outro. Esse generoso gesto irromperá no sucesso ou no fracasso, no Sim ou no Não do casamento cotidiano. Pense rápido: há alguém que o espera no altar e outro a ansiar pelo fim da cerimônia, porque tem outros planos para mais tarde.
Pode ser tarde demais...

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"O corpo tem seu próprio modo de saber, um conhecimento que tem pouco a ver com lógica, e muito a ver com verdade; pouco a ver com controle, e muito a ver com aceitação, pouco a ver com divisão e análise e muito a ver com união." (Marilyn Sewell)
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Um comentário:

Pal, a voz silente disse...
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